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Eu sirvo para quê?

“O AHAPPY está a procurar modelar-nos para sermos pessoas que amam a Deus, aos nossos próximos e a nós mesmos”. Eric fala com entusiasmo do Programa de Prevenção do HIV e da SIDA para os Jovens da AJAN. As suas mãos finas gesticulam expressivamente enquanto sublinha aquela que considera ser a principal característica do AHAPPY: “O conteúdo modela toda a pessoa, uma pessoa que pode provocar uma mudança na sociedade, que pode acolher a diversidade nos outros, que poderá ajudar os outros… por isso, uma pessoa completa”.

A vida de Eric não é fácil. Tal como todos os alunos da Escola Secundária de St. Aloysius, em Langata, Nairobi, ele é inteligente, mas desfavorecido. Um dos critérios de entrada nesta escola é ser-se órfão de um ou de ambos os progenitores mortos por causa da SIDA e ser-se proveniente de Kibera, conhecido como um dos maiores, se não o maior, bairro de lata de África.

Uma outra razão pela qual Eric gosta do AHAPPY é porque “aprendi novas formas de lidar com o stress pessoal e com as pressões do nosso ambiente que afetam o modo como aprendo na sala de aula”.

A St. Aloysius é uma das muitas escolas em África que aprecia o AHAPPY pela forma como transmite conhecimentos, aptidões para a vida e valores que capacitam os jovens para que façam escolhas de vida saudáveis. Os alunos da St. Al’s debatem os módulos do AHAPPY em pequenos grupos apelidados de ‘famílias’. Eric faz parte da família do último ano, com quem me encontro para uma conversa para saber por que é que gostam do AHAPPY.

Um dos pontos fortes do programa é ser escrito numa linguagem com que os estudantes podem facilmente identificar-se. Para Colin, um outro estudante, “o programa da AJAN é muito útil por não ser composto por teorias, mas por apresentar as experiências quotidianas por nós vividas e que são escritas de uma forma que nos é compreensível”.

O AHAPPY transmite essencialmente mensagens que os adolescentes desejam escutar – mensagens acerca do seu potencial para dirigirem o curso da sua própria vida e para se tornarem alguém que pode representar uma diferença positiva no mundo à sua volta. Eles referem-se repetidamente ao impacto do programa na forma como olham para si mesmos: consciência de si próprios, confiança em si mesmos, autoestima…

“Um dos tópicos de que beneficiei é: conheço-me a mim mesmo bem? Por que é que frequento a escola? Eu sirvo para quê?”, afirma a Prudência.

Imelda intervém: “A geração AHAPPY é acerca da autoestima, a consciência do bem que há em mim e se aprecio e gosto de mim e do meu comportamento. Analisamos ainda como é que a nossa autoestima pode ser afetada pelo ambiente, pelos pais, professores, amigos e líderes e pelo que dizem de nós. Se há pessoas que dizem coisas negativas de ti, evita-as, fica com as pessoas que te amam, apreciam e encorajam”.

Todos estão profundamente conscientes de terem necessidade da sólida armadura da autoestima para resistir à pressão dos seus pares. “Adquirimos a confiança para falar à vontade, para tomar as decisões corretas. Enquanto adolescentes, somos confrontados com a pressão dos nossos pares e no AHAPPY aprendemos a dizer as palavras acertadas”, diz Carolina.

Quando lhe perguntamos qual o valor que ela escolheria de entre os propostos pelo programa AHAPPY, a Ângela elege a fortaleza: “Tem-me dado a coragem de agir de acordo com o que digo. Se digo ‘não’, é a sério”.

Saber que Deus nos ama é um outro ponto a propósito do qual todo o grupo está perfeitamente de acordo. Para Imelda, é “o que mais nos encoraja”.

O Eric concorda: “Sei que quem quer que tu sejas, seja qual for a tua história, os obstáculos que tiveres encontrado, as tuas fraquezas, Deus ainda assim te ama”.

A fé firme que possuem é o elemento que ultimamente sustém a autoestima destes adolescentes. “Trata-se de olharmos para nós próprios da forma como Deus nos olha”, diz o Collins. “Não devemos olhar para nós próprios do mesmo modo como as pessoas nos olham. Quando as pessoas dizem que somos uns falhados e que não vamos conseguir nada, isso não significa que o somos. Deus olha para nós como pessoas que podem vencer e somos todos iguais aos seus olhos. Não importa se os outros nos abandonam, ou a nossa família e os nossos amigos, pois sabemos que Deus ainda nos ama e que somos filhos de Deus”.