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RCA: Centro universitário retoma a atividade apesar da agitação

Dominique Lare Kassoa SJ, diretor do Centro Católico Universitário, Bangui

Um centro educativo de prevenção na Universidade de Bangui organizou uma cerimónia para os seus educadores de pares para assinalar o início do ano académico, apesar da insegurança que atormenta a República Centro-Africana (RCA).

Após a capital ter sido tomada pelos rebeldes – mais tarde rechaçados – nos inícios de 2013, a RCA continua a mostrar-se como um país politicamente instável, economicamente débil, e com um nível de insegurança nas áreas rurais que se mantém preocupante. De facto, a história da República Centro-Africana está repleta de sobressaltos políticos, tendo como consequência uma instabilidade institucional que se torna um obstáculo ao seu desenvolvimento. As atividades desenvolvem-se de acordo com o ritmo imposto pelos grupos armados. Assim que se desencadeia uma crise, as atividades ficam paralisadas, mas quando há uma acalmia a vida retoma o seu curso. Atualmente, Bangui vive um período de calma e as atividades que estavam suspensas foram discretamente retomadas.

Foi neste clima de calma relativa que o Centro de Informação, Educação e Escuta do Centro Católico Universitário (CIEE/CCU) organizou nos dias 7 e 8 de janeiro a retoma das atividades dos seus clubes info-saúde. A 7 de janeiro, teve lugar uma atividade cultural e, no dia seguinte, foi a vez de um grande evento para dar início ao ano académico.

A cerimónia anual tem um grande significado para o CIEE, pois é o momento em que os educadores de pares dos seus clubes info-saúde recebem o seu kit e são oficialmente enviados em missão. Este ano, o tema do evento era a SIDA não passará por mim e, ainda que passe por mim, eu não a transmitirei.

Os clubes info-saúde são a coluna vertebral do CIEE. Presentes na Universidade de Bangui e nas instituições privadas do ensino superior da capital, os clubes são formados por educadores de pares que transmitem a mensagem quanto à prevenção do centro aos seus colegas estudantes.

Este evento é importante porque tem como objetivo aumentar a visibilidade do CIEE entre os estudantes e a administração universitária, bem como junto dos parceiros do desenvolvimento e outros atores sociais implicados na luta contra a SIDA no meio universitário. A cerimónia foi presidida pelo reitor da Universidade de Bangui, tendo estado ainda presentes a representante local da ONUSIDA e uma dezena de parceiros locais.

No seu discurso, o reitor exortou os parceiros a mostrarem confiança no centro, considerando a qualidade do serviço que presta aos estudantes. De seguida, encorajou o centro a prosseguir com a sua missão salvadora, ou seja, aquela de proporcionar aos estudantes da Universidade de Bangui e das instituições privadas a oportunidade de conhecerem o seu estado serológico e de adotarem comportamentos sãos para reduzir a taxa de risco de vulnerabilidade ao HIV. Por fim, reiterou a sua plena disponibilidade para acompanhar o CIEE nas suas atividades.

Desenrolaram-se de seguida duas sessões em torno dos seguintes temas: o corpo como templo do Espírito Santo e viver positivamente com o HIV.

Como conclusão, podemos afirmar que o contexto atual de segurança na capital, Bangui, não é um travão para a realização de atividades. Neste sentido, podemos afirmar que a abertura do ano académico de 2015 foi um sucesso. Na verdade, os estudantes e as autoridades administrativas compareceram em massa a esta manifestação, o que é motivo de júbilo, já que a obra do CIEE no meio universitário em Bangui não fica sem efeito.

Cada um, ao seu modo, confirmou o seu empenho participando no recomeço das atividades educativas dos clubes info-saúde. O CIEE, mais uma vez, afirma a sua vontade de ajudar os estudantes e as estudantes a permanecerem sempre sensíveis à questão do HIV e, mais ainda, a agirem em prol de uma Universidade sem SIDA e um ambiente são.