French
Portuguese

UMA ENTREVISTA COM FR. UBONG, UM JESUITO AFRICANO DA NIGÉRIA

Pe. Ubong Attai SJ., No Centro de Recursos da AJAN

 

Permita-me, por favor, que lhe pergunte: quem é o P. Ubong?

Sou um jesuíta da Nigéria, atualmente a fazer a Terceira Provação em Nairobi. Este é o meu 25º ano como jesuíta, e têm sido 25 maravilhosos anos. Claro que existiram alguns desafios em diversas fases da minha formação, mas creio que a graça abundou ainda mais nessas experiências.

Antes de dar início à minha Terceira Provação, trabalhei na Igreja Católica de S. Francisco, uma paróquia jesuíta, em Lagos, durante 7 anos.

O que é que precisamente lhe despertou o interesse para visitar a AJAN?

Há 24 anos, como noviço jesuíta, tive a oportunidade de trabalhar com doentes atingidos pelo HIV/SIDA, lepra e TB durante a minha experiência apostólica de hospital. Essa experiência teve em mim um grande impacto. Nessa altura, aprendi muito acerca do HIV/SIDA, mas é claro que, passados 24 anos, a informação de que então dispúnhamos acerca do HIV/SIDA alterou-se consideravelmente.

Quais são as suas expectativas em relação à AJAN nesta visita?

As minhas expectativas? Estou aqui, em primeiro lugar, para aprender. A AJAN proporcionar-me-á informação, e diversa literatura, dados e estatísticas quanto ao HIV/SIDA, mas estes documentos só farão para mim sentido no contexto da experiência real vivida das crianças do Lea Toto – um centro que está ao serviço de crianças com HIV/SIDA em resultado da transmissão de mãe para filho. Espero vir a ser desafiado por meio dessas experiências.

 

Acima: Ubong com o seu anfitrião, o Diretor da AJAN Elphege.

A sua vinda à AJAN pode ser um indicador do seu possível interesse na área do HIV/SIDA; poderia explicar isto um pouco?

Possível interesse? Bem, espero aprender mais acerca do HIV/SIDA, mas, ainda mais importante, conhecer as pessoas, e aprender acerca de mim nesta experiência.

Tem experiência de lidar com temas relacionados com o HIV e a SIDA? Partilhe, por favor, acerca disto.

Na minha resposta à sua segunda questão, mencionei que tinha trabalhado com algumas pessoas que viviam com o vírus há mais de duas décadas, mas as coisas mudaram agora muito. Não havia então medicamentos antirretrovirais, o estigma era maior, e havia muito pouca informação acerca do vírus e das pessoas que vivem com o vírus. Agora é muito mais fácil que as pessoas infetadas continuem a viver vidas normais e até se casem e tenham filhos que não estejam infetadas com o vírus.

Por outro lado, a paróquia em que trabalhei antes de vir para cá tem um hospital que, graças aos donativos da USAID e da Caritas, está agora bem equipado enquanto centro gratuito para o aconselhamento, testagem e tratamento do HIV e da SIDA. Por isso, sim! Tenho alguma familiaridade em lidar com as questões do HIV e da SIDA.

Qual é, de modo geral, a situação do HIV e da SIDA na Nigéria a partir do seu ponto de vista como padre?

Tenho-me vindo a aperceber de que muitas pessoas que vivem com o HIV na Nigéria não têm consciência do seu estado. O governo não tem a este propósito uma atitude dinâmica. Não temos ainda o número recomendado de locais para a testagem do HIV e aconselhamento em cada localidade. A Fundação da Cáritas, em ligação com a USAID e a ONUSIDA, tem desenvolvido um grande esforço para o implementar, mas este é um país de 180 milhões de pessoas. O acesso ao tratamento antirretroviral continua a representar uma dificuldade para muitas pessoas que vivem com o HIV, e a estigmatização continua a ser um dos principais fatores que para isso contribuem.

 

Abaixo: Ubong se envolve em uma conversa com; Anne Kwamboka (Centro), Diretora de Contas e Gloriosa estagiária do Centro Urumuri de Ruanda.

 

Ientrevista conduzida por Caleb Mwamisi, Oficial de Comunicação, AJAN