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Verdadeiramente imitando a Cristo morrendo e subindo para uma vida nova e plena

Pe. Terry Charlton SJ., Co-Fundador e Capelão da Escola Secundária St. Aloysius Gonzaga.

Gosto muito do Domingo de Ramos; a liturgia celebra a última semana da vida de Jesus. Começamos com uma procissão para celebrar a entrada triunfal em Jerusalém no momento em que ele foi aclamado como Messias, menos de uma semana antes da sua morte. Alguns minutos depois, é lido o relato da Paixão e Morte de Jesus a partir de um dos Evangelhos Sinóticos, este ano o Evangelho segundo S. Lucas. O Domingo de Ramos imerge-nos no Mistério Pascal, o mistério central da nossa fé cristã. A vida desponta da morte nas suas muitas formas, incluindo luta, sofrimento e escuridão. À imitação de Jesus, que até aceitou a morte numa cruz, pelo que Deus o exaltou (Fl 2, 8-9), esforçamo-nos por aceitar a morte nas suas muitas formas para ressuscitarmos para uma vida mais plena.

 Tem sido para mim uma bênção o meu envolvimento desde 2004 na Escola Secundária de S. Luís Gonzaga, em Nairobi, uma escola patrocinada pela Comunidade de Vida Cristã (CVX) do Quénia. A CVX é um movimento internacional de leigos católicos que está intimamente associado aos jesuítas. A Escola de S. Luís foi fundada para proporcionar educação gratuita a estudantes dotados do bairro de lata de Kibera, afetados pela SIDA e a viverem em situações de pobreza que os impediriam de ter acesso aos estudos. Os nossos estudantes vivem em profundidade o Mistério Pascal e servem de inspiração. Deixai-me partilhar acerca da Júlia (não é o seu nome verdadeiro), que é um belo exemplo.

 O pai da Júlia faleceu quando ela estava na 5ª classe; a situação da família deteriorou-se e, em pouco tempo, estavam a viver numa pobreza miserável. Felizmente surgiu um Bom Samaritano que permitiu que Júlia completasse o ensino primário. Foi chamada para uma boa escola secundária, mas a sua mãe não tinha meios de pagar as propinas escolares e sugeriu um casamento precoce. Júlia sentia-se desesperada diante do seu desejo de estudar, mas tudo o que ela podia fazer, no seu desânimo, era rezar a Deus. Teve conhecimento da Escola de S. Luís e foi aí aceite. Lutou contra a pobreza durante os quatro anos passados na escola, mas conseguiu terminar em primeiro lugar na sua turma. Recebeu uma bolsa especial para o curso de Medicina e Cirurgia. Para fazer face às despesas, vendia chá e café. Júlia está agora prestes a terminar o seu curso. Depois de tanta luta, anseia por uma vida de serviço como médica pela qual poderá transmitir a vida a outros.

 As circunstâncias da vida da Júlia são particulares, mas indicam o modo como somos chamados a levar vidas de abnegação e de morte para nós mesmos para crescermos numa vida mais plena para os outros, imitando autenticamente a Cristo na sua morte e ressurreição para uma vida nova e mais plena.

 

PIC da Escola Secundária St. Aloycious acima